"No interior da tua ausência"
"Resiste a aceitar a deriva ingrata dos tempos, o fim das antigas esperanças. Não quer abandonar a trincheira. Mas a guerra terminou."
Nada no Mundo descreveria melhor a minha atitude e os meus sentimentos perante o que vivo e o que recuso viver. E em nenhum outro momento acreditei mais que é a vida que nos guia e comanda, ora vendando-nos, ora mostrando-nos a verdadeira luz das coisas. Levando-nos, muitas das vezes, por caminhos perigosos e agoniantes. Caminhos que não queremos, nem sequer pensámos um dia percorrer, mas que nós próprios, inadvertidamente, trilhamos.
Escolhi o caminho mais fácil, talvez, porque foi o único que a vida me deu a conhecer. Andei pelo tempo a viver mentiras, sarando feridas que jamais fecharão. Agora sei o que sempre soube. Ceguei perante a dor que o meu futuro adivinhava. Menti-me e menti-te. E nunca me vou perdoar por isso.
Dormia sem querer acordar, até a vida me confrontar e pôr à minha frente aquilo que doeu tanto ver, que dói tanto lembrar, mas que foi a única maneira de perceber que posso, quero e consigo ser melhor do que sou hoje. Procurei a minha felicidade naquilo que pensei ser a tua. Busquei sentimentos que nunca existiram, e li nos teus olhos, que jamais existirão. Descobri por fim a verdade de todas as coisas. A felicidade existe sim. Mas raramente está onde julgamos poder encontrá-la.
Desisto de ti. De mim nunca. A guerra terminou.

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