True Love?
Na vida há-de haver sempre o momento, a pessoa, o caminho. Particularidades que nos marcam eternamente, como se fossem a coisa mais forte que alguma vez iremos experimentar. Sempre tendi a pensar que emoções desse calibre só podiam ser cúmplices do amor entre duas pessoas que não tinham nada mais em comum a não ser esse suposto amor que as unia. Mas a realidade soube ser cruel, fiel a si própria, e mostrar-me que o amor tem várias formas e que a desilusão, quando existe, é maior se dois corpos partilharem o mesmo sangue.
As feridas não sararam embora me agarre ao tempo e me sirva dele como veículo para fugir a gestos, palavras e atitudes que, muitas vezes inconscientemente, ecoam dia após dia na minha cabeça. São inúmeras as vezes que olho para trás, volto aos anos em que os laços eram de ferro e lutavam contra tudo, juntos. Sempre juntos. Nessas viagens ao passado tento procurar sinais, indícios que me façam compreender o agora que se vive, porquês que respondam às atitudes que a nossa cumplicidade de irmãos não me permitia esperar.
Dói. Dói quando me apercebo que afinal as relações nunca são suficientemente fortes, mas apenas castelos de cartas que um simples sopro pode destruir numa questão de segundos. Dói ainda mais quando descubro que a partilha do crescimento e da vida no fim não significa nada, e que afinal o tempo não nos vai envelhecer juntos.
Esta era uma lição que, embora útil, não queria ter aprendido. Não contigo, não com motivos que desprezo como desprezo quem levou a vida a cultivar maldade e traição. Mas é também uma lição que carrego e que irei relembrar sempre, por cada vez que a vida me puser à prova.
* Sabe-se o que é amor quando o simples acto de voltar é suficiente para perdoar. Eu perdoaria. *

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home