segunda-feira, maio 30, 2005

Devaneios

Não entendo esses olhos nem a tua alma. Nunca entendi. Não consigo prever as tuas atitudes nem a tua verdade. Por vezes, iludo-me a pensar que és como te imagino, que te importas, que faço diferença no teu mundo. Outras mostras-me uma realidade diferente e fazes-me acreditar que não passo de mais um nome, mais uma vida na tua.
Gostava que pudesse ser diferente, que te mostrasses e que me permitisses disfrutar da tua luz.. e no entanto não sei definir este desejo. Não te amo, não te adoro, não gosto de ti. Fascinas-me.
É isto que fazem os poucos segundos que passo contigo ou perto de ti. Dá que pensar.

sábado, maio 14, 2005

Sei que não vou por aí...

Apetece-me escrever coisas sem sentido, como se nunca o tivesse feito, mas, ao mesmo tempo, não consigo deixar de pensar, primeiro, no que tem ou não lógica para ser dito ou sentido.
Tenho passado os dias assim, perdida na minha (ir)racionalidade, sem encontrar o caminho para a sanidade, ou até mesmo para a insanidade total, se for essa a chave do meu bem estar. Continuo sem estar bem, não por este, aquele ou o outro, mas por mim. Continuo, às vezes, a rever imagens e momentos na minha cabeça, como num filme, tentando perceber onde estão os erros. E em todo esse processo descubro que o erro é meu, ou, até mesmo, que o erro tenho sido eu.
Não sei lidar com sentimentos nem com emoções. Não sou forte nas adversidades e tenho de o ser porque pensam que o sou. Não consigo exprimir e dizer aquilo que, às vezes, em momentos de pura lucidez, se ilumina perante os meus olhos. Enfim, vivo sem filtrar tudo aquilo que me faz mal e me vai destruindo dia, após dia, após dia.
Tenho tomado constantes decisões de mudança, que acabam com momentos de fraqueza ou de pura revolta contra a própria revolta. A vida que vou levando limita-se muito a um Mundo sem grande abertura para as ambições e sonhos que me caracterizavam. Continuo a tê-los, mas perdi-me no caminho.
Deixei de acreditar na pessoas, ou, simplesmente, de acreditar que, a determinada altura, elas se tornam transparentes aos nossos olhos, como se conseguissemos prever, sempre, cada movimento seu. Não é assim. As pessoas conseguem sempre ir muito além daquilo que nos pode, eventualmente, invadir a mente. Conseguem amar ou ferir quando menos esperamos. E se calhar assim a vida tem outro sabor.
Faço balanços diários do que fiz e do que poderei fazer, e a cada dia tenho mais certezas de que o que fiz, influenciará sempre o que farei depois. Como que se, para dar um passo em frente, tenha de me certificar que o caminho é seguro, ao contrário daqueles que tenho vindo a pisar. Sob um determinado ponto de vista, é bom ser-se assim, cauteloso e precavido. Eu acho apenas triste, viver com medo que algo nos magoe tanto como já alguém nos magoou uma vez.
Tenho medo do amor, e de amar alguém. Quero e não quero. Acho essencial, mas perigoso. Foi nisto que me tornei ou no que me tornaram. Não para sempre, porque apesar de tudo, tudo isto faz parte de um lento retorno ao meu antigo 'eu'. Como se esta fosse a minha viagem de regresso, depois de uma jornada de amor e ódio. Mas regresso com bagagem. Uma mala cheia de coisas boas e más. Compradas, oferecidas e roubadas. Coisas das quais nunca terei a capacidade de me separar, voluntaria ou involuntariamente, como se esquecê-las implicasse cair num novo abismo.
Vou descobrindo e percebendo que se saber lutar é uma virtude, saber perder é muito mais. Não voltar ao passado e não cometer os mesmos erros, vezes e vezes sem conta, é prioridade máxima. E com isto vou conhecendo novos caminhos e possibilidades, que ainda não escolhi, mas que, em todo o caso, estão sempre lá. É como diz o poeta, "Não sei por onde vou, não sei para onde vou. Sei que não vou por aí".

terça-feira, maio 03, 2005

Amanhã será melhor

A cada dia dás passos maiores e mais rápidos, e a luz fica lá longe esquecida. Entras nas brumas da tua memória e desapareces na imensa escuridão que tu próprio criaste. Arrependes-te a meio do percurso que trilhas-te, mas vai ser, já, tarde. Então ali permaneces, imóvel e em silêncio, conformado com um destino que tu mesmo desenhas-te com o passar dos anos e da vida.
Talvez um dia arranjes forças para romper o véu negro que te cobre, ou talvez, no futuro, alguém tenha uma mão para te estender e te devolver o Sol. Mas por agora é tudo o que tens: o vazio da noite que escolhes-te.
* Dias em que o nada te magoa mais que o tudo que te tem vindo a ferir * - Amanhã será melhor