segunda-feira, abril 25, 2005

Enough



E chega. Até eu já me cansei. Embora saiba que custa muito e que nada é tão linear assim, vou deixar de me torturar com as coisas do passado, vou deixar de tentar perceber o porquê de atitudes e palavras inesperadas que, constantemente, me magoam, vou, acima de tudo, deixar de viver a vida que tenho vivido. Cheguei, finalmente, à conclusão que a nossa existência é tão curta, que por mais vazia que seja, vale sempre a pena tentar mais e melhor.
Foram deixadas em mim marcas que são, hoje, transformadas em medos, mas nem por isso me devo encolher perante as situações, ou fechar os olhos à espera que passem. Se os outros são felizes, também eu posso ser. Mesmo que não seja da maneira como pensei, hei-de o ser. Porque, lá está, a felicidade quase nunca está onde pensamos poder encontrá-la.
Talvez tenha sido influenciada pelo espirito de revolução que o dia de hoje nos inspira, ou talvez tenha, apenas, chegado ao limite dos meus limites. Não importa. Importa apenas que o passado, bom e mau, ao passado pertence, e lá irá permanecer trancado a sete chaves, até ao dia em que me sinta capaz de o libertar sem correr o risco de me voltar a perder nele.
Não guardo nem ódio nem ressentimento, como também não guardo amor nem paixão. Guardo apenas a enorme esperança num novo começo e a memória de uma amizade que talvez o futuro um dia volte a unir.
"Make a wish, take a chance, make a change... and breakaway..."

sábado, abril 09, 2005

At least I didn't let the moment passe me by...

Os dias vão passando à velocidade de folhas rasgadas do calendário, e o coração vai-se acomodando na forma que o sofrimento lhe trouxe. Não sei se me ainda dói o peito, já não distingo a dor. Ou me habituei a ela, ou vou-me curando com o passar imediato das horas.
Tenho enfrentado alguns dos meus medos, e posto à prova a minha capacidade de ser indiferente àquilo que, eventualmente, me magoará. Temo apenas tornar-me fria e injusta, agindo por impulsos que não sinto e que não me pertencem. Sim, tenho, muitas vezes, tomado impulsos alheios, impulsos pensados por outros e instigados em mim. Nem sempre me apraz fazê-lo, e nem sempre sou mais feliz por isso. Pelo contrário. Fica, normalmente, o travo amargo de palavras e atitudes que não fazem parte de mim, mas que são sempre, no meu ideal, melhores e mais certas que as minhas.
Não têm sido dias fáceis. Pelo contrário, têm sido dias cheios demais para as horas que dispõem. E, em contrapartida, é essa imensidão de coisas para fazer que me faz abrir os olhos de manhã e não pensar em mais nada. Cumprir apenas aquilo que tem que ser cumprido, tendo sempre em conta os meus valores e não os dos outros. Os tais que não concordo. E é assim que tenho vivido a vida.
Esquecer? Não, não esqueci. E também não acho que seja suposto esquecer. Somos aquilo que vivemos, e, sem dúvida, o que vivi fez de mim quem sou agora. Mas quando se opta pelo ponto final, é bom que não se volte atrás, e que, principalmente, não o transformemos em reticências. Contudo, é isso que tenho feito. É um arrastar de assuntos que deveriam estar arrumados, é um querer saber, um querer falar. São saudades. São preocupações. E isso ninguém, nem mesmo com altos discursos a transbordar moralidade e bom senso, vai poder mudar.
Por muito estranho ou anormal que pareça, ainda me consigo orgulhar de ser assim. De ter a capacidade de perdoar, de dar a mão, de sorrir, até mesmo a quem me magoou. Não sou encorajada para tal. Pelo contrário, sou alvo de revolta quando ajo em conformidade com aquilo que sinto. Mas é assim que sou. E repito: com orgulho.
* "If you love someone you say it, you say it right then, out loud. Otherwise the moment just.. Passes you by" in My Best Friend's Wedding *
Este filme hoje fez-me rir e chorar. E acima de tudo fez-me pensar que, sofrendo ou não.. amar é a melhor coisa do Mundo :)

domingo, abril 03, 2005

Everlasting memories

Ando tão cansada. Parece que a fase positiva que parecia atravessar, acabou. Tenho estado triste e sem vontade de fazer, até as coisas de que mais gosto. E não sei explicar porquê. Recuso-me a acreditar que sejam, aindam efeitos daquela desilusão, porque não doi tanto quando relembro.
Acho que é tudo junto. Esta altura do ano traz-me mais recordações do que os outros meses todos. E tenho pensado muito em como as coisas eram, e como as coisas estão agora, doze meses depois. Faz-me mal essa comparação, apesar de tentar acreditar que estou melhor agora. Não sei se estou, mas tenho, forçosamente, que estar.
Neste momento não me sinto com forças para enfrentar, sequer o semestre que aí vem, e não fosse o simples prazer de escrever e de despejar para aqui palavras em tom de desabafo, nem isto me apeteceria fazer. O tempo deste fim de semana está destinado, então, aos trabalhos que não quero fazer e que não fiz durante as férias. Férias essas que não tive por causa do estágio. Definitivamente, estou a passar um mau bocado.
Há uns tempos que não sentia esta necessidade de desligar o cérebro. Não páro de ver e rever imagens, boas e más, na minha cabeça. Penso para mim "Hoje faz um ano que isto.. Hoje faz um ano que aquilo", e enterro-me no passado até não conseguir
sair e voltar à realidade de agora. Guardei, literalmente, muitas recordações no fundo da gaveta, na esperança de que, mais tarde ou mais cedo, me acabe por esquecer delas. Mas por enquanto sei que lá estão, e que me magoam e irão magoar quando pensar em tocar-lhes de novo.
Mantenho-me, então, longe do que me poderá magoar, mas no fundo nunca percebi o que provoca maior dor. O esforço para manter distância ou a própria distãncia em si. Além disso dou por mim, muitas das vezes, com receio do que os outros possam pensar ou dizer das minhas atitudes. Porque, admito, há momentos em que a saudade é maior que qualquer força ou vontade, momentos em que me sinto sozinha e tenho o impulso de procurar aquilo de que me afastei. Contudo, vem-me também à memória tudo o que tenho visto e sentido. Coisas que me levam a duvidar de sentimentos e que me levam a pensar que foi tudo, definitivamente, destruído.
Não consigo encontrar a lógica da situação, e já não me percebo. Não consigo descrever, exactamente o que sinto, mas sei que tenho, mais do que a cabeça, o coração muito confuso. Acima de tudo resta muita saudade. Talvez não o devesse admitir, talvez até seja um enorme erro sentir, mas, de facto, resta mesmo muita saudade, e uma aparente certeza de que nada do que foi, foi de verdade.
* 03.04.2004 ... I wonder if you remember *

sexta-feira, abril 01, 2005

Can u make it on your own?

Estou farta! Sinceramente, estou mais que farta de tudo e de todos, principalmente de mim. Apetece-me, simplesmente dizer tudo aquilo que penso sem olhar a simpatias nem a cordialismos. As pessoas são completamente estupidas, e não há nada a fazer para reverter a situação.
Olho à minha volta e vejo hipocrisia ao invés de amor ou amizade. As pessoas olham, cada vez mais, para o seu próprio umbigo e esquecem os dos outros. Desde que elas estejam bem vale tudo no jogo da vida. E eu devia lhes seguir o exemplo. Ser fria, calculista e desprovida de sentimentos, e talvez assim chegasse a algum lado. Mas não foram esses os valores que me ensinaram, não são esses os valores que, bem ou mal, me caracterizam. Tenho outros, e deles não abdico por nada deste ou de outro Mundo.
A vida teria outro sabor se lutássemos todos para o mesmo fim, se as únicas coisas consideradas, realmente, importantes fosse, não só a nossa, mas a felicidade dos que nos rodeiam. Ao invés disso, andamos por aqui, ora magoando ora sendo magoados, procurando ser melhor do que o outro e cuspindo no prato que nos dá comida. Destruímos sonhos alheios sem medir consequências, e perdemos a capacidade de ser verdadeiros, se for esse o preço de subir mais um degrau na escada da vida.
Contra mim falo. Já errei muito, e de certeza que esses não foram os meus últimos erros. Já fui injusta e magoei. Mas a diferença é que eu acordei, ou pelo menos vou acordando a cada dia e a cada pessoa que passa pela minha vida. E vocês? Ainda vão demorar muito?
* Believe me.. sometimes u just can't... *