Era meu
Esse caminho era meu. Aquele no qual te decidiste atravessar e travar-me o passo sem pensar nas consequências que isso me traria. Cansaste-te do rumo indefinido do teu, não foi? Então achas-te por bem tomar atalhos que não eram teus, tomar a paz que não era tua, porque assim não tinhas que te preocupar com o sentido que não tens, ou tão pouco com os afectos que não sentes.
O meu caminho era o mais fácil, o fruto tão apetecído que de proíbido tinha só o facto de me pertencer, e isso para ti nunca foi problema. Assim seguiste, tomando do meu próprio fôlego porque do teu não querias desperdiçar, e quando te apoderaste do cansaço que eu sentia percebeste que era altura de escolher outro caminho. Não o teu. O teu nunca. Mas o de alguém que, mais que eu, te conseguisse voltar a dar a vitalidade que me sugaste nas horas que caminhei por ti.
Foi vida que vivi por ti. Vida minha que fará, fatal e inevitavelmente, parte da tua. Por muito que o negues, por muito que a tentes apagar com silêncios de indiferença e palavras que não conheces nem sentes. E quando tomares consciência disto, não te percas em ilusões, o teu tempo não volta atrás, assim como a vida que me tomaste continuará a ser sempre o momento que não me deixaste viver.
* Procura o teu caminho. *
