Again and again...
Dei voltas à cabeça para tentar fazer sentido. Acabei por descobrir que se não o faço é porque talvez não o tenha. Pois que sentido há em fazer algo que não se sente e sentir algo que não se pode nem se tem? Entrei num ciclo vicioso em que erram comigo e eu erro com os outros, para voltar mais tarde a ser alvo de injustiças e de disfrute alheio. É uma bola de neve que vai aumentando à medida que as falhas da mente e do corpo se repetem cada vez mais frequentemente, não deixando margem para dúvidas de que, ou a neve se dissipa ou acaba por gelar aquele que ainda ouço palpitar em mim.
Já estive tão longe e tão perto disso. Sinto-o regressar à vida e sei que isso será a sua morte. Porque a vida que ele reclama alimenta-se do impossível, na melhor das hipóteses do improvável e na mais sensata delas, do absurdo e do errado. No entanto não consigo mudar o rumo da história e mudar-lhe os figurantes. Tenho esta necessidade macabra de me ferir, de ver e sentir o meu próprio sangue para acreditar no perigo que tudo isto me traz.
Então aqui estou eu, a entrar no livro que fechei com as minhas próprias mãos, a arrancar-lhe páginas que me façam recuar, a calar a voz que em mim me diz para parar e regressar enquanto é tempo. Não a ouço já. Estou neste momento demsiadamente longe de mim mesma para a escutar. E vou seguindo vagarosamente, rumo a tudo o que vivi.
Não sei porque o faço. Sei que não tenho sentido.
