quarta-feira, agosto 31, 2005

Again and again...

Dei voltas à cabeça para tentar fazer sentido. Acabei por descobrir que se não o faço é porque talvez não o tenha. Pois que sentido há em fazer algo que não se sente e sentir algo que não se pode nem se tem? Entrei num ciclo vicioso em que erram comigo e eu erro com os outros, para voltar mais tarde a ser alvo de injustiças e de disfrute alheio. É uma bola de neve que vai aumentando à medida que as falhas da mente e do corpo se repetem cada vez mais frequentemente, não deixando margem para dúvidas de que, ou a neve se dissipa ou acaba por gelar aquele que ainda ouço palpitar em mim.
Já estive tão longe e tão perto disso. Sinto-o regressar à vida e sei que isso será a sua morte. Porque a vida que ele reclama alimenta-se do impossível, na melhor das hipóteses do improvável e na mais sensata delas, do absurdo e do errado. No entanto não consigo mudar o rumo da história e mudar-lhe os figurantes. Tenho esta necessidade macabra de me ferir, de ver e sentir o meu próprio sangue para acreditar no perigo que tudo isto me traz.
Então aqui estou eu, a entrar no livro que fechei com as minhas próprias mãos, a arrancar-lhe páginas que me façam recuar, a calar a voz que em mim me diz para parar e regressar enquanto é tempo. Não a ouço já. Estou neste momento demsiadamente longe de mim mesma para a escutar. E vou seguindo vagarosamente, rumo a tudo o que vivi.
Não sei porque o faço. Sei que não tenho sentido.

sexta-feira, agosto 19, 2005

What goes around comes around

Não há nada mais irónico que a vida. É um ciclo cruel, maquiavélico e vicioso. Tem coisas boas sim. A vida é repleta de coisas boas que iremos recordar para o resto dos nossos dias. Mas se pensarmos com clareza, tudo o que ela nos dá, acaba mais tarde por reclamar de volta. E é nessas alturas que aprendemos o que é a dor e o sofrimento e nos vamos preparando para que a próxima perda não seja tão dolorosa.
Não vale a pena brincar com o destino, com a forma como as coisas estão supostas a acontecer. O que fazemos hoje, amanhã será recompensado ou punido, conforme seja o fruto da nossa actuação nos palcos da vida. E se hoje julgamos alguém pela sua atitude sem lhe tentar perceber as razões ou lhe espreitar a alma, então amanhã provaremos do nosso próprio veneno, e perceberemos que afinal, há coisas na vida que não se explicam nem se controlam, e se acontecem, é porque tinham que acontecer.
Não me arrependo de muita coisa na minha vida, principalmente, porque tudo o que fiz me construiu tal qual sou hoje, mas se os ponteiros do relógio tomassem o sentido contrário e eu me encontrasse de volta ao passado, então as lárgimas não teriam sido de revolta, mas de compreensão. E talvez hoje tudo fosse diferente.