quarta-feira, março 30, 2005

Há dias assim...

"There's still a little bit of your taste in my mouth
There's still a little bit of your song in my ear
There's still a little bit of your words I long to"
À medida que vou tentando esquecer, e vou de facto esquecendo, há dias assim, em que sinto tudo tão presente como na primeira vez. Como se estivesses a um toque de distância e a tua voz ecoasse ainda em mim. Como se depois de tudo, tivesses ainda algo a dizer, e ficasse sempre o vazio das palavras que não disses-te.
Há dias assim... não mereces... mas há dias assim...
*Ao som de Ray Charles & Diana Krall "You don't know me"...«You'll never ever know, the one who loved you so. No, you don't know me»*

terça-feira, março 29, 2005

Please.. Do wrong to none...

Acordei como a manhã, solarenta mas chuvosa. Sentir tudo de uma só vez, deve deixar marcas para a vida, e de marcas já me bastam as que tenho. Mas fui feita assim, e não consigo deixar de sentir, muito embora não saiba ainda o que sinto.
Conto, entre as poucas certezas que tenho, a de que não me dei tempo, sequer, de recuperar, antes de mudar de sentimentos e me encher de dúvidas. Seja como for, vou ficar imóvel. Não vou levantar um dedo que seja, nem mesmo quando não houver espaço para questões, e tudo se tornar claro e indubitável.
Desta vez deixo o destino agir sozinho, e prometo não me atravessar no seu caminho. Aprendi que, não importa o que queremos ou desejamos. O destino só nos dá aquilo que a nós nos pertence. Contudo, continuo a acreditar na luta por aquilo que acreditamos, apenas não acredito o suficiente, neste momento, para correr atrás, seja do que for.
A cada dia sinto-me melhor em relação à minha vida e ao que se passou com ela, e a cada dia dói menos um bocadinho. Já chego mesmo a questionar porque dei as proporções que dei a tudo isto. Porque é que este sentimento foi tão forte, se agora pouco ou nada resta dele. Não que tenha desaparecido, nada disso. Apenas mudou, ou foi obrigado a mudar perante tudo o que vi e senti.
Não sou feliz ainda, mas acho que encontrei o caminho certo para o ser. Tenho, acima de tudo, um bom pressentimento em relação ao futuro, muito embora, o meu presente esteja repleto de dúvidas e de algum receio pelo que ameaço começar a sentir. Mas as adversidades, como tudo na vida, encaram-se de frente. E é em frente que vou seguir, lamentando apenas, não, ter sofrido, porque me fez crescer, mas sim ver este mesmo sofrimento ferir, ainda, outros corações vulneráveis à dor.
* "Love all, trust a few, do wrong to none", W.S. *

segunda-feira, março 28, 2005

Sorry.. but I do..

Não sei. Frase de ordem na minha cabeça, no meu coração. É estranho como as sensações e emoções não coincidiram em nada com o que tinha imaginado. É estranho como a tristeza é transformada em pena, as certezas em dúvidas e o entusiasmo em medo. É, acima de tudo, estranho como ainda me consigo impressionar e admirar com as coisas que vejo. Sei que raramente o que parece ser, é de facto. Contudo, ainda não acredito.
É demasiado confuso o que trago no peito neste momento para ser descrito. Para ser, sequer, sentido. E apesar de não poder deixar de senti-lo, posso me reservar a descrevê-lo. Posso, contudo, dizer que apesar do medo e do perigo que lhe está inerente, sabe tão bem sentir o que sinto. Não era suposto, eu sei. Mas não é novo e sabe bem.
A noite de ontem foi um misto de perplexidade e redescobrir de sentimentos. Não entendo nem me sinto capaz de explicar. Hoje deixo as interpretações por conta de outrém.
* Each day I love you less. Each day I like you less. Each day I feel you less.. I really do. *

domingo, março 20, 2005

Keep going.. cuz there's nothing left for u to do..

Um ano. Um ano de tudo e de nada. Tenho andado bem e leve com o que se tem passado com a minha vida. Não estou muito bem, nem tão pouco, muito feliz, mas já vou sorrindo com vontade de o fazer. Estou e sinto-me diferente, surpreendida comigo mesma e com aquilo que me resta no peito. E isso dá-me uma tranquilidade enorme, que embora não seja eterna, preenche, cada vez mais, os meus dias.
Reaprendi a viver. Soa exagerado a quem não valoriza nem entende a intensidade que um sentimento pode ter, mas para mim faz todo o sentido. Tive, de facto, que começar de novo e escolher um percurso diferente. Um percurso sozinho de quem deixou de seguir a meu lado. É dificil, mas tornou-se um dos meus maiores objectivos. Ter a capacidade de seguir em frente, conseguindo olhar para trás de cabeça e olhar erguido. Principalmente, sem mágoa nem ressentimento, apenas com a certeza de que o passado ao passado pertence e que é no futuro que devo investir.
Cresci. É essa a conclusão que tiro hoje, quando me apercebo da serenidade que tenho em relação a tudo isto. Chego mesmo a pensar que não era suposto. Que há algo de errado nesta terapia de esquecimento improvisada. Mas talvez seja apenas esta a resposta. Cresci. Adquiri a capacidade, não de me conformar com as adversidades, mas de aprender com elas, e, principalmente, de as contornar mesmo quando estas se mostram incontornáveis. Nem sempre o caminho que temos de escolher é aquele que desejámos ou que pensámos ser o melhor para nós, mas é o caminho que temos que aceitar, incondicionalmente, fazendo dele o melhor que algum dia poderíamos percorrer.
Faz hoje, precisamente, um ano que iniciava uma nova etapa sem sequer me aperceber. Sabia, no fundo, que aquele dia iria ter algo de diferente, que mudaria a minha vida. Agora percebo todos os pressentimentos, todos os porquês que se criaram nesse dia e que se arrastaram até aqui. Porém, aqui pararam. Não permito que avancem mais.
Doeu, dói e irá continuar a doer. Talvez apenas por uns tempos, talvez para sempre. Talvez, mesmo, nunca ninguém perceba e continue a julgar o rumo que uma vez tomei. Mas nada, neste momento, me importa ou muito menos me tira a vontade de seguir em frente. Pelo contrário, só me dá mais força. Força para provar que a vida não se resume a isto. Pelo menos a minha vai ser muito mais.
"Todo o amor deste Mundo perdido num segundo, todo o riso transformado num olhar apagado, toda a fúria de viver afastada do meu ser, até que um dia acordei e vi que estava a perder toda a força que cresceu na vida que Deus me deu, uma vontade de gritar bem alto o meu amor morreu. Todo o Mundo há-de ouvir, todo o Mundo há-de sentir, tenho a força de mil homens para o que há-de vir."
* Da Weasel "Força (Uma página de história)"

segunda-feira, março 14, 2005

Dreams can come true?

Estou terrivelmente cansada para fazer o que quer que seja, mesmo que seja apenas pensar. E mesmo assim não me dou descanso e não paro um só segundo de rever e coordenar as ideias na minha cabeça. Chego à conclusão que não há solução, para além de as deixar flutuar cá dentro até que um dia deixem de ter a importância que teimo em lhes dar.
No fundo, não são nem valem nada. E já me cansa tê-las comigo. Não sei porque é que o ser humano insiste em recordar, constantemente e ao pormenor, tudo o que o faz sofrer. Quero esquecer mas o inconsciente é mais forte que qualquer vontade e as más imagens repetem-se, sucessivamente, diante dos meus olhos, como numa primeira vez. Contudo, há já uma certa imunidade à dor que trazem. Tomar do mesmo remédio vezes sem conta, cria em nós anticorpos para a vida.
Não há palavras nem gestos que apaguem aquilo que acabamos por fazer e escolher, quando essas atitudes e escolhas não são as melhores. E nem mesmo o tempo vai mudar as consequências que elas têm, não só na nossa vida, mas na vida dos que nos rodeiam. Então, temos que aprender a ponderar as nossas hipóteses, e principalmente adquirir a capacidade de dizer que não, querendo dizer que sim, quando sabemos que esse "sim", a longo prazo, irá destruir sonhos alheios.
Nunca destrui sonhos, como destruiram os meus. Por muito pequenos e insignificantes que fossem, eram os meus sonhos. E agora tenho que reaprender a sonhar.
* Muita pressa no inicio é fictício demais *

sexta-feira, março 11, 2005

Life goes on.. And it feels so damn good

Pára tudo e começa de novo quando a vida já não der para mais. Foi isso que aprendi e aprendo agora, à medida que o tempo e o destino avançam, destemidos, sobre mim. Mas já não os temo. Já os conheço e sei que sao perversos e maliciosos.
A dor torna-nos realmente mais fortes, e tudo o que acontece não é por mero acaso. Olho para mim e para a minha vida, e já não sinto pena ou mágoa. Sinto o gosto amargo da realidade que não vi, mas sinto, principalmente o alivio do fim. Aquele alivio que, por significar deixar de ter o que queria, sempre pensei não existir. Não sabia o que queria. Não sei porque o quis.
Estou calma e tranquila com o presente e sei que a bonança procede sempre a tempestade. E esta tempestade vai, cada vez mais, perdendo a sua força, não passando agora de uma leve briza que ameaça deixar de existir. Tenho neste momento uma certeza enorme de que o meu futuro será melhor assim, separado do passado. Mas não o esqueço. Pelo contrário. Todos os dias quando acordo me lembro dele e sinto que tomei a atitude mais certa e sensata.
Cada um escolhe o que pensa ser o melhor para si. Até aqui escolhi que iria ser e viver para quem amo. Hoje escolho esquecer quem amei. Não é um abandono nem um virar de costas, um castigo infantil por uma derrota injusta. É apenas uma escolha. Pensada e ponderada, mas, principalmente, sentida.
Estive quase a tocar o arrependimento. Mas não. Não há arrependimento. Há somente uma ténue desilusão, e um descobrir daquilo que nunca quis ver, mas que era tão óbvio. Há, essencialmente, uma enorme certeza de que não devo chorar, porque não fui eu quem perdeu. Quem perdeu foi quem não me escolheu. E vai aprender isso da pior maneira.
* Thank you for making me stop loving you *
/on Toranja "Carta" «Ainda magoas alguém..»