Um ano. Um ano de tudo e de nada. Tenho andado bem e leve com o que se tem passado com a minha vida. Não estou muito bem, nem tão pouco, muito feliz, mas já vou sorrindo com vontade de o fazer. Estou e sinto-me diferente, surpreendida comigo mesma e com aquilo que me resta no peito. E isso dá-me uma tranquilidade enorme, que embora não seja eterna, preenche, cada vez mais, os meus dias.
Reaprendi a viver. Soa exagerado a quem não valoriza nem entende a intensidade que um sentimento pode ter, mas para mim faz todo o sentido. Tive, de facto, que começar de novo e escolher um percurso diferente. Um percurso sozinho de quem deixou de seguir a meu lado. É dificil, mas tornou-se um dos meus maiores objectivos. Ter a capacidade de seguir em frente, conseguindo olhar para trás de cabeça e olhar erguido. Principalmente, sem mágoa nem ressentimento, apenas com a certeza de que o passado ao passado pertence e que é no futuro que devo investir.
Cresci. É essa a conclusão que tiro hoje, quando me apercebo da serenidade que tenho em relação a tudo isto. Chego mesmo a pensar que não era suposto. Que há algo de errado nesta terapia de esquecimento improvisada. Mas talvez seja apenas esta a resposta. Cresci. Adquiri a capacidade, não de me conformar com as adversidades, mas de aprender com elas, e, principalmente, de as contornar mesmo quando estas se mostram incontornáveis. Nem sempre o caminho que temos de escolher é aquele que desejámos ou que pensámos ser o melhor para nós, mas é o caminho que temos que aceitar, incondicionalmente, fazendo dele o melhor que algum dia poderíamos percorrer.
Faz hoje, precisamente, um ano que iniciava uma nova etapa sem sequer me aperceber. Sabia, no fundo, que aquele dia iria ter algo de diferente, que mudaria a minha vida. Agora percebo todos os pressentimentos, todos os porquês que se criaram nesse dia e que se arrastaram até aqui. Porém, aqui pararam. Não permito que avancem mais.
Doeu, dói e irá continuar a doer. Talvez apenas por uns tempos, talvez para sempre. Talvez, mesmo, nunca ninguém perceba e continue a julgar o rumo que uma vez tomei. Mas nada, neste momento, me importa ou muito menos me tira a vontade de seguir em frente. Pelo contrário, só me dá mais força. Força para provar que a vida não se resume a isto. Pelo menos a minha vai ser muito mais.
"Todo o amor deste Mundo perdido num segundo, todo o riso transformado num olhar apagado, toda a fúria de viver afastada do meu ser, até que um dia acordei e vi que estava a perder toda a força que cresceu na vida que Deus me deu, uma vontade de gritar bem alto o meu amor morreu. Todo o Mundo há-de ouvir, todo o Mundo há-de sentir, tenho a força de mil homens para o que há-de vir."
* Da Weasel "Força (Uma página de história)"