sábado, setembro 24, 2005

I will get it right

Hoje foi aquele dia estranho em que passei em revista um ano inteiro, comparei situações e peripécias e ri com o que já me tinha feito chorar. Gosto disso. Gosto quando consigo falar das coisas com a distância suficiente para não sofrer. Recuei no tempo como há muito não fazia, enfrentei os medos de então, recuperei cenários antigos e revi (literalmente) caras perdidas que me fizeram dar uma daquelas gargalhadas estupefactas mas animadas.
Foi, acima e apesar de tudo, um dia positivo que me mostrou que ainda tenho muita força para lutar, atingir e manter o que quero. Neste momento, e apesar do destino me andar a trocar as voltas e a meter-me em situações, digamos, pouco agradáveis, sei, exactamente, aquilo que quero. Obstáculos, esses vão continuar a existir e, muitas das vezes, a abrandar-me o passo, mas travar-me nunca irão conseguir. You have my word.
* Live Strong *

quarta-feira, setembro 21, 2005

O cair do véu...

Os olhos negros desconhecidos, as palavras soltas entre os acordes, o palpitar das velas que, pelo fogo, se deixavam consumir, um misto de emoções e novas sensações que afloraram e se fizeram certas quando tudo parecia errado. A paixão por instantes, o fascínio para sempre. A doce tristeza de um destino que não se pode mudar e a frágil certeza de que o final dá forma às formas que a vida, inevitavelmente, tomou.
É como o desfecho de um livro em que tudo faz sentido, ou como a última peça de um puzzle que revela aos nossos olhos o que sempre la esteve, timidamente escondido. É, nada mais, que o último badalar do relógio, antes do silêncio e da calma.
* Uma tristeza doce, que sabe bem sentir, quando é sentida como o revelar da felicidade que aí vem ou pode vir, consoante o nosso esforço *

sexta-feira, setembro 02, 2005

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
Miguel Torga
* Só não entende quem nunca amou. E pergunto-me se não deveria ser esta a minha súplica... *