Hoje dormi mal. Há já algum tempo que não demorava tanto a adormecer e quando, finalmente, consegui, os problemas voltaram à minha cabeça em forma de sonhos confusos e destorcidos. Já conheço o ritual, mas nunca me vou habituar a ele. Depois de algumas horas acordei ainda pior, como se tivesse o peso do Mundo sobre as costas.
Levantei-me para estudar qualquer coisa para a última frequência do Semestre. Não fui capaz. As palavras misturavam-se com os meus pensamentos, e no final da página a única coisa que fazia sentido na minha cabeça era organização a rimar com coração. E o meu anda, terrivelmente, desorganizado. Hoje deu-me para lembrar de tudo de bom que passei nos últimos tempos, o que seria positivo se esses momentos já não tivessem chegado ao fim. É estranho como dói cada vez mais...
Depois de várias tentativas falhadas, decidi-me pela maneira mais fácil e pouco honesta. Cábulas. Imprimi qualquer coisa à pressa numa folha e sai logo a seguir. Pelo caminho até ao comboio fui passando de estação em estação de rádio, tentando fugir às músicas lamechas e aos anúncios do dia dos namorados, que vem aí para me atormentar. É incrível como até o calendário se virou contra mim!
Já no comboio, acrescentei mais uns conceitos às cábulas, ao mesmo tempo que tentava, inutilmente, reter qualquer coisa que estivesse lá escrito. Desisti passado uns segundos. Definitivamente, escolheram o pior dia para a pior frequência. Não conseguia pensar. A minha cabeça estava e está prestes a rebentar, e não há nada que atenue este sentimento de impotência misturado com tentativas contínuas de conformação.
Às 15h em ponto começou a frequência, e não foi preciso mais de um minuto para me desesperar perante as perguntas. Eram três, consegui, miseravelmente, fazer duas. Saí em pouco mais de uma hora. Era suposto ir beber café com o Zé, para lhe encher os ouvidos sobre os últimos acontecimentos, ao mesmo tempo que ele enchia os meus com aqueles curtos mas sempre certos "Eu avisei!", mas não me sentia capaz de falar sobre nada. Desmarquei. Fiquei à porta da sala à espera da Sónia, da Sandra e da Joana, mas foi a Neuza que acabou por me fazer companhia. Entretanto já tinha recebido uma mensagem do Paulo a pedir-me a resposta da pergunta dois, que até me pagava as sms. LoL! Foi a Neuza que o salvou e ditou-me a resposta, porque eu não fazia ideia.
Meia hora depois lá sairam elas, juntamente com a notícia que a nota de CAP já estava afixada. Não me preocupei. Achei que ia ter boa nota porque a frequência correu extremamente bem e eu até tinha feito todos os trabalhos. Subimos as escadas do pavilhão onde nos esperava um rapaz de camara de filmar ao ombro para captar as emoções. E que emoções. LoL! Tive 12.. Como disse a minha mãe, fazendo tudo menos me animar, se esta me correu bem e tive 12, não quero saber as outras. Fiquei ainda mais desanimada. Não queria que outros problemas afectassem a Faculdade, mas pelos vistos, é mais forte que eu.
Depois de uma conversa rápida com o Stor de CEG sobre a apresentação dos trabalhos na próxima segunda feira, e uma mini reunião improvisada com a Stora de Marketing, em que o momento alto foi quando o Paulo diz "Oh Stora curti bue aquela da Sangria! E a minha mãe também" LoL! (Só tu!), lá saímos da Faculdade.
No comboio fui sentada nas escadas. Há meses que vamos sempre sentadas nos bancos, mesmo nos dias mais improváveis, e hoje, logo hoje, não havia lugar. Já nada me admira. Falei pouco pelo caminho. Contei à Sandra, em traços largos, a última conversa que tive com o Pedro e nada mais. Não me apetece lembrar. Dói muito pensar que tudo se resume a um "Adeus".
Cheguei a casa já passava das 19h. Estava exausta. Deitei-me na cama e liguei a televisão, mas já nem me lembro o que estava a dar. Perdi-me nos meus pensamentos. Queria tanto conseguir desligar o meu cerebro durante umas horas e parar de pensar no que me faz mal, no que me magoa...
Tomei banho e jantei. Não comia praticamente nada desde segunda feira, mas hoje lá consegui. E agora aqui estou eu, a relatar o meu dia, e a pedir por tudo que o de amanhã seja melhor. Vou estar com a Xana. Desde que discutimos que nunca mais a vi e já lá vão quase seis meses. À noite vou sair com a Sandra, Joana, Sónia, Rui e quem aparecer. Preciso mesmo me distrair e esquecer por uns instantes a confusão que anda a minha vida.
"Muda de vida se tu não viveres satisfeito. Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar. Muda de vida, não tens que viver contrafeito. Muda de vida se há vida em ti a latejar" ... A única coisa boa do dia. A mensagem do Pedro (de Lagos) para me ajudar a levantar deste poço onde caí e insisto em permanecer. Obrigado*
* É o segundo dia sem ti, e ainda nada me parece certo... *