quarta-feira, janeiro 24, 2007

Fundo do baú

JP ---- > [ : nao te preocupes
JP ---- > [ : nao te faço sofrer

* A hipocrisia da raça humana consumiu-me a inocência. *

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Sangue do meu sangue (enquanto quiseste)

Lembro-me de tempos antigos e choro. Páro o tempo e caminho através dos anos que passaram, os melhores de sempre em que duas almas eram apenas uma, e o sangue igual era o elo inquebrável e eterno. Naquela altura, quando o presente era para sempre, os nossos corações ingénuos sabiam que os anos podiam passar mas nós seríamos sempre as duas crianças que a vida e os laços juntaram para nunca mais separar. Então vivíamos. Unidos por tudo o que conhecíamos, por tudo o que queríamos conhecer. Vês-nos a a saltar da cama antes de todos, porque as brincadeiras de criança têm de ser planeadas antes do Sol as descobrir? Ou a rirmos sem razão nenhuma antes de adormecermos e entrarmos no mesmo mundo de sonhos? Juntos. Sempre juntos, porque um sem o outro não fazia sentido.
Só pouco depois nos apresentaram a realidade. Esse espaço cruel do mundo em que vivemos. Contaram-nos que nesse tal mundo não havia lugar para duas almas iguais, e se o queríamos sobreviver teríamos de erguer a espada bem alto e num gesto brusco e irreflectido cortar todos os laços que desde cedo nos uniram. Eu sempre resisti, tu sabes que sim. Fiz tudo o que podia para te manter aqui, onde sempre estiveste, porque sabia que as feridas dessa espada não iriam sarar nunca. Mas tu quiseste assim. Sempre foste destemido e seguro de ti próprio, ainda que tantas e tantas vezes errado. Querias ver com os teus próprios olhos essa realidade de que nos falaram, querias entrar nesse tal mundo e receber tudo o que ele tinha para te dar. Então, aproveitando a distracção de quem confiava piamente em ti, roubaste-me a espada das mãos e destruíste a nossa única verdade. Quem ama deixa partir, e eu fiquei imóvel a ver-te cada vez mais longe, amparada por um corpo sem alma onde um coração ferido se esquecia de bater.
Hoje a dor continua a doer e o sangue não parou de derramar. Mas no fundo da minha alma vive a esperança de que um dia acordes e, num acto de pura lucidez, voltes para quem sempre te quis bem. Eu cá estarei para te perdoar.
* Sinto a nossa falta. *