As time goes by...
Vazio é a palavra. Não é vazio deste ou daquele, é o vazio de quem já não sente e que descobriu que o que sentia era fruto da vontade e da paixão que tem pelo amor. As lágrimas continuam a correr, e o coração ainda bate descompaçado como em todas as vezes que o levaram por uns tempos, mas a dor que provocam não é de perda. É uma dor diferente, que nem é dor, e que culmina na clara e amarga consciência de que tudo passou e já só magoa porque deixou de magoar.
Os olhos perdem a expressão e a alma a coragem e o entusiasmo de avançar contra o tempo e as evidências. Aprendemos que, afinal, o Mundo não parou e continua a girár-nos numa jornada sempre igual em que o ponto de partida será sempre o de chegada e nunca nada será diferente do que vivemos hoje ou há cem anos.
Sabe bem esta liberdade de quem descobre que, no fim, não resta muito por onde tropeçar, e, ao mesmo tempo, é assustador o espaço vago que, subitamente, vemos em nós. Um espaço que só é preenchido por ilusões de quem necessita sentir algo para provar a existência, nem que essa essa existência seja apenas validada pela dor de um amor que não se sente.
* «Esta insatisfação, não consigo compreender. Sempre esta sensação que estou a perder. Tenho pressa de sair, quero sentir ao chegar a vontade de partir para outro lugar.. Vou continuar a procurar o meu Mundo o meu lugar, porque até aqui eu só quero quem, quem eu nunca vi, porque eu só quero quem, quem não conheci.. Porque eu só quero quem, quem eu nunca vi..», Donna Maria - "Estou além" *
