domingo, março 18, 2007

Justiça Divina?

Escolho uma das cadeiras e fico a ver o filme passar. Sei que faço parte dele, mas o desenrolar da trama vai muito além de esforços e de expectativas. O limite é a espontaneidade do destino que afinal esteve sempre marcado. Ali tenho a noção que o Mundo é perfeito, camuflado por momentos aparentemente sem sentido, que afinal são os grandes motores da história de cada um. É uma máquina impar, certa ao milímetro, que acaba por corrigir todas as falhas que lhe possamos induzir.
Perceber este ciclo é um misto de sensações. É a coragem e a força que nos são restabelecidas quando a justiça acontece. É a pena e o sentimento de culpa por não termos sabido ser melhores que isto, e continuarmos tantas e tantas vezes passivos perante a passividade dos nossos. Seja como for, é reconfortante ver que no fim são os bons valores que prevalecem.
* Não é alegria. É o alívio do peito que já respira justiça. *

quinta-feira, março 01, 2007

Mental note

Ontem encontrei-o nos meus sonhos, no que me pareceu ser um reviver impiedoso de tudo o que doeu. Não é a primeira vez que quando o Sol se esconde a mente resolve se entregar por completo às partidas do insconsciente. Então, durante um período indeterminado de tempo, o corpo sucumbe ao que está para lá do que é real e faz com que o coração acredite em tudo o que se vê mas não existe. É incrível a exatidão que um sonho pode ter. Ali, naquele tempo e lugar que não são nada, os cheiros e os sabores eram os mesmos que em momentos passados me mostraram a felicidade.
É aí que a realidade se impõe e que o despertar traz de volta medos, anseios e ódios de estimação, que nos obrigam a assimilar de uma só vez tudo o que nos levou meses a compreender e aceitar. É um duplo abrir de olhos, ao mundo que nos rodeia e à memória de um passado que há dois segundos atrás era presente. São inexplicáveis estas viagens a mundos que já haviamos trancado e deitado a chave fora. Este arrombar de portas que julgavamos de ferro, mas que afinal eram tão resistentes quanto folhas de papel.
No fundo, talvez haja uma cruel mas necessária utilidade nestas visitas forçadas a estados de alma que já se dissiparam. Talvez elas aconteçam apenas para nos relembrar que o sofrimento pode ter passado, mas a lição que ele nos deixou, essa, jamais deve ser esquecida.
* Eu não esqueço. *